Maurício Castro: “Joker, um canto à luita de classes”

CULTURA | O professor e ativista Maurício Castro realiza em Twitter umha interessante crítica do filme Joker em chave de luita de classes “vinculada à denúncia da opressom capacitista”. Aliás, num segundo momento, compara o filme de Todd Phillips com Era umha vez em Hollywood, de Tarantino, que considera “absurdamente reacionário”. Polo interesse que têm, recolhemos aqui os comentários sobre ambos os filmes.

Quando pensava que já nom era possível se produzir arte com fundo político que nom passasse pola miséria pós-moderna, deparei-me com um genial e cinematográfico Joker. Um canto à luita de classes vinculada à denúncia da opressom capacitista. Maravilha.

Na TV vendem-no como reflexom sobre a loucura, mas é muito mais do que isso. Aborda-se o capitalismo em decadência, na imaginária Gotham, que corresponde com umha megalópole em plena decadência capitalista. Por isso, apesar da ambientaçom setenteira, nom podia ser mais atual.

Para já, Joker traz-nos a classe trabalhadora de volta ao protagonismo coletivo, retratada no protagonista, um trabalhador dum bairro pobre, doente mental a quem os poderes públicos retiram qualquer ajuda, polos cortes em política social do sistema em violenta descomposiçom.

A crítica do capacitismo (opressom específica contra as pessoas dependentes) fica assi indissoluvemente ligada à condiçom de classe dos doentes. Sem a menor concessom à correçom política, a obra apela ao direito à rebeliom e à violência dos explorados contra os poderosos.

Por isso diferentes vozes mediáticas já pedírom nos EUA a proibiçom da exibiçom do filme pola sua “violência”. Há filmes bem mais absurdamente violentos no mercado, mas este situa a violência num contexto de classe e legitima a resposta popular violenta contra o sistema.

Esta leitura de Batman através da luita de classes situa o mau da fita do cómic, Joker, como representaçom da legítima revolta espontánea, que ganha a simpatia das massas e esboça a consciência de classe em vários gestos de diferentes personagens.

Em frente, a intrínseca degeneraçom dos poderosos: políticos, empresários, milionários, polícia, jornalistas da tv-espectáculo, agentes financeiros… o filme explica Batman como defensor desse statu quo capìtalista contra os trabalhadores e a populaçom empobrecida excedente.

A todo o anterior, somemos a cuidada estética decadente, a magnífica escolha da banda sonora e o genial trabalho do ator protagonista e teremos como resultado um filme que nos reconcilia com a arte cinematográfica, reduzida na nossa época a subproduto de consumo descartável.

Para maior paradoxo, som os filmes de super-heróis que lideram esse processo de descomposiçom artística do cinema no mercado do capitalismo decadente. A versom crítica e social do Joker traz de volta a arte e o compromisso com a humanidade. Muito recomendável!

A diferente funçom do recurso à violência em Joker e em Tarantino

Aí atrás critiquei o último filme de Tarantino (Era umha vez em Hollywood), por absurdamente reacionário, o que parece umha heresia na época atual. O Joker de Todd Phillips ajuda a comparar o recurso à violência de um e outro, a diferente funçom e a diferente reaçom do mercado.

Tarantino banaliza a violência nos seus filmes, orientando-a no último claramente contra os marginais, fulminados por ousarem alterar a “ordem natural das cousas”. A perspectiva é a dos ricos de Beverly Hills contra os hippies, representantes (péssimos) da contestaçom social.

Já Todd Phillips, em Joker, apresenta no seu filme a violência provocada polo próprio sistema, que condena à miséria a maioria, em bairros empobrecidos e trabalhos precarizados, negando assistência médica às pessoas que a necessitam.

A perspectiva de Phillips é a dessa populaçom excedente violentamente revoltada contra os poderosos. É interessante comprovar que em vários meios temiam os riscos da exibiçom de Joker, pola sua violência social, mas nunca temêrom a absurda violência reacionária de Tarantino.

Acho que compará-los é um bom exercício para ver a orientaçom ideológica, explícita ou implícita, propositada ou nom, transmitida por um cinema representativo do pós-modernismo (Tarantino) e a dum que recupera a funçom social da arte, fundindo gozo estético e crítica do real.

Sobre Maurício Castro

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